CONTEÚDOS
Informação para compreender melhor sua saúde digestiva.
Conteúdos escritos e revisados pela Dra. Carla Moura Fé Elias, em linguagem clara e baseados em evidências.
Inchaço abdominal, excesso de gases, dor ou desconforto abdominal e alterações do hábito intestinal podem levantar a suspeita de SIBO, mas esses sintomas também aparecem em diversas outras condições gastrointestinais. Por isso, a investigação deve partir da história clínica e, quando houver indicação, pode incluir o teste respiratório de hidrogênio e metano.
O teste respiratório é um método não invasivo utilizado na investigação do supercrescimento bacteriano do intestino delgado. Ele analisa gases presentes no ar expirado após a ingestão de um substrato específico e pode fornecer informações que ajudam a direcionar o diagnóstico.
O que é SIBO?
SIBO é a sigla em inglês para Small Intestinal Bacterial Overgrowth, ou supercrescimento bacteriano do intestino delgado.
O intestino possui naturalmente uma grande comunidade de microrganismos. No SIBO, ocorre uma quantidade ou composição anormal de bactérias no intestino delgado associada a sintomas gastrointestinais.
Entre os sintomas que podem ocorrer estão distensão abdominal, gases, dor ou desconforto abdominal e diarreia. Entretanto, nenhum deles é específico de SIBO. Isso significa que ter muitos gases ou sentir a barriga inchada não é suficiente para concluir que uma pessoa tenha SIBO.
É justamente nesse contexto que o teste respiratório pode fazer parte da investigação.
Como funciona o teste respiratório para SIBO?
O princípio do exame é relativamente simples.
As bactérias intestinais fermentam determinados carboidratos e, nesse processo, produzem gases. Parte desses gases é absorvida pela circulação, chega aos pulmões e posteriormente é eliminada na respiração.
Assim, é possível medir no ar expirado gases como hidrogênio e metano e observar como suas concentrações se comportam ao longo do tempo.
Na NeuroGastro, o exame para investigação de SIBO/IMO é realizado com lactulose.
O que acontece durante o exame?
Antes de ingerir a lactulose, é realizada uma primeira coleta do ar expirado, chamada de amostra basal. Ela mostra as concentrações dos gases antes da administração do substrato.
Depois, o paciente ingere a solução de lactulose e realiza novas coletas do ar expirado em intervalos programados.
Essas amostras são analisadas para medir principalmente:
Hidrogênio (H₂): sua elevação precoce após a ingestão do substrato pode ser compatível com SIBO.
Metano (CH₄): concentrações aumentadas estão relacionadas ao chamado IMO — supercrescimento de metanogênicos intestinais, condição diferente do SIBO e frequentemente associada à constipação.
A avaliação simultânea de hidrogênio e metano é importante porque os dois gases fornecem informações diferentes.
Como o resultado é interpretado?
De acordo com critérios amplamente utilizados, uma elevação do hidrogênio de pelo menos 20 partes por milhão (ppm) em relação ao valor basal até 90 minutos é considerada compatível com SIBO.
Para metano, uma concentração de 10 ppm ou mais em qualquer momento do exame é considerada positiva para excesso de produção de metano, atualmente denominado IMO.
O resultado não deve ser interpretado apenas observando se determinado número ultrapassou ou não um valor de referência. O padrão de produção dos gases ao longo do exame, a qualidade das amostras, o preparo realizado, os sintomas apresentados durante o teste e a história clínica também precisam ser considerados.
Preciso me preparar para o teste?
Sim. O preparo é uma parte importante do exame, porque alimentação, medicamentos e procedimentos realizados anteriormente podem interferir na fermentação intestinal e, consequentemente, nas concentrações dos gases medidos.
Na NeuroGastro, o preparo inclui orientações específicas sobre alimentação no dia anterior, período de jejum e cuidados antes e durante a realização do teste.
Também é necessário respeitar um intervalo após o uso de antibióticos, antiparasitários e realização de colonoscopia. As orientações completas são fornecidas antes do exame.
O teste causa sintomas?
Algumas pessoas podem apresentar inchaço, gases, cólicas, desconforto abdominal, diarreia ou outras alterações intestinais durante o exame.
Registrar esses sintomas pode trazer informações complementares, mas sentir sintomas durante o teste, isoladamente, não significa que o resultado seja positivo para SIBO.
Posso fazer os testes de SIBO, lactose e frutose no mesmo dia?
Não. Os testes respiratórios são realizados individualmente: um exame por vez.
SIBO/IMO, lactose e frutose utilizam substratos diferentes e respondem a perguntas clínicas diferentes. Quando existe indicação para investigar mais de uma condição, os exames devem ser programados separadamente.
Um teste positivo significa que todos os sintomas são causados pelo SIBO?
Não necessariamente.
SIBO pode coexistir com outras condições, e sintomas como distensão, gases, diarreia, constipação e dor abdominal são inespecíficos.
O teste, portanto, não substitui a avaliação clínica. Ele é uma ferramenta que deve responder a uma pergunta formulada a partir da história do paciente.
Mais importante do que simplesmente realizar um exame é saber quando ele está indicado e como interpretar o resultado dentro do contexto de cada pessoa.
SIBO é o supercrescimento de bactérias no intestino delgado, enquanto IMO está relacionado ao excesso de microrganismos produtores de metano. Apesar de poderem causar sintomas semelhantes, como distensão, gases e alterações do hábito intestinal, são condições diferentes e podem exigir abordagens distintas.
O inchaço abdominal é comum e pode estar relacionado à alimentação, constipação, alterações da microbiota, intolerâncias ou outras condições digestivas. Quando é frequente, persistente, piora progressivamente ou interfere na qualidade de vida, vale investigar a causa em vez de apenas tentar controlar o sintoma.
O tratamento da Doença de Crohn é individualizado. A escolha depende de fatores como localização e extensão da doença, intensidade da inflamação, presença de complicações e tratamentos anteriores. O objetivo é controlar a inflamação, alcançar remissão e prevenir a progressão da doença.